Dark Light

Eu acho que, nesta altura do campeonato, você já percebeu que a internet não é mais apenas um meio de consumir informação e manter-se conectado ao resto do mundo ao alcance das suas mãos.

Mas, o que isso tem a ver com criação de conteúdo? Tudo, na verdade. A internet se tornou uma das principais ferramentas de divulgação de ideias, produtos, projetos e serviços, e é sobre isso – e um pouco mais – que a gente vai conversar neste post.

O uso da internet como ferramenta de negócios ajudou a desenvolver uma nova classe de profissionais: os criadores de conteúdo. Eles são, basicamente, profissionais liberais que usam das ferramentas digitais para criar e divulgar seus produtos e serviços.

Mas há muito mais a entender sobre a dinâmica dessa nossa classe de profissionais. E é por isso que neste artigo vamos falar sobre a economia dos criadores. Se você ainda não tinha se deparado com este conceito – e nem sabe se faz parte dele – vamos em frente para entender melhor.

O que é a Economia dos Criadores

Vamos começar com o básico: uma descrição do conceito. Conforme os autores Yuanling Yuan e Josh Constine, no artigo SignalFire’s Creator Economy Market Map (Mapa de mercado da Economia dos Criadores da Signal Fire), a Economia dos Criadores “é definida como a classe de negócios […] de criadores, curadores e construtores de comunidades independentes que incluem influenciadores de redes sociais, blogueiros e produtores de vídeo, além dos softwares e ferramentas financeiras desenvolvidos para ajudá-los com crescimento e monetização”.

Em outras palavras, a economia dos criadores é o universo que envolve criadores de conteúdos e os meios que eles têm para criar e monetizar esse conteúdo – talvez assim o conceito fique mais fácil e palatável. 

E esse universo engloba muita, muita gente mesmo. Segundo o mesmo artigo de Yuanling Yuan e Constine, entre amadores e profissionais, há cerca de 50 milhões de criadores de conteúdo no mundo. Dá uma olhada no infográfico deles abaixo para entender como estes criadores de conteúdo se dividem pelas redes sociais:

Por que a Economia dos Criadores é importante

Essa é uma área que tem tudo para crescer. Além das inúmeras possibilidades de geração de conteúdo – tanto no quesito de diferentes mercados ou diferentes plataformas de conteúdo a usar –, a atividade de criador de conteúdo nunca foi tão popular. Um estudo aponta que mais jovens estadunidenses querem ser YouTubers (29%) do que astronautas (11%) quando crescerem.

Mas é claro que isso não vem do nada, e tem tudo a ver com o nascimento e explosão das mídias sociais e digitais no mundo, lá pelos anos 2000. É por meio dessas plataformas – YouTube, Instagram, iTunes, Spotify, Snapchat, Twitter, Medium, Twitch, TikTok etc. – que tantos talentos puderam ser descobertos e ganharam o mercado, ajudando a alavancar a tal Economia dos Criadores.

De acordo o Mediakix, o mercado total disponível (TAM, do inglês Total Addressable Market) atual do marketing de influenciadores (que é um tipo de produtor de conteúdo) é de oito… bilhões de dólares…

… e deve crescer para 15 bilhões de dólares até 2022, tornando este um dos setores de mais rápido crescimento. Ou seja, tem espaço para bastante gente ainda – não importa o que você faça.

O cenário da economia dos criadores no Brasil e na América Latina

Até agora, eu trouxe algumas cifras mundiais e dos EUA, mas para você ver que não estou falando apenas desse contexto, apresento alguns dados da América Latina e do Brasil, que são um mercado e tanto para quem quer criar e divulgar conteúdo de forma digital.

Para se ter uma ideia, segundo dados da pesquisa da GWI The global media landscape (O panorama da mídia global), o latino-americano consome algum tipo de conteúdo midiático (redes sociais, televisão, streamings de música, imprensa online ou offline etc.) ao longo de 14h40 do seu dia. Se você acha que é muito, achou certo: é mais do que na região Ásia-Pacífico (12h28), na União Europeia (9h54) e na América do Norte (12h54).

E, conforme relatório da eMarketer, 88% dos usuários de internet latino-americanos utilizam as redes sociais; na América do Norte, são 73%. Isso mostra como os criadores de conteúdo independentes e influenciadores se tornaram uma enorme força na América Latina.

Um a cada três usuários de internet nesta região segue algum influenciador. No Brasil, 40% dos entrevistados afirmam ter comprado algum produto que foi recomendado por algum criador de conteúdo.

Na pandemia, esse cenário pareceu se fortalecer ainda mais. Informações da Serasa Experian dão conta de que sete em cada dez micro, pequenas ou médias empresas (73,4%) do país estavam fazendo vendas online durante a pandemia do novo coronavírus e, desse total, 83,1% pretendia manter a realização dos negócios pela internet mesmo quando a pandemia acabasse.

A questão é que, enquanto alguns influenciadores costumam monetizar fazendo divulgação de produtos e serviços que não são sua criação com base em sua autoridade online, a maioria dos criadores de conteúdo ainda é composta por profissionais que precisam e querem viver da sua própria criação.

E muitos ainda não têm condições disso: dados da Atlantico coletados de mais de cinco mil criadores de conteúdo no Brasil indicam que metade desses ganhavam menos de US$ 100 por mês com a produção de conteúdo, e cerca de 25% deles sequer conseguiam monetizar.

Segundo texto da Harvard Business Review, no Patreon, apenas 2% dos criadores conseguiram alcançar o salário mínimo (dos EUA) de US$ 1.160 por mês em 2017. No Spotify, artistas precisam de 3,5 milhões de streams por ano para atingir ganhos anuais equivalentes aos de um trabalhador com salário mínimo de US$ 15.080.

A importância do desenvolvimento de uma classe média de criadores: você não precisa ser famoso para vender

Nesse contexto, fica parecendo que você precisa de dezenas de marcas apoiando você e milhões de seguidores para conseguir se tornar uma verdadeira celebridade digital e fazer seu negócio rodar, certo? Desta vez, não acertou.

Criadores de conteúdo e influenciadores não precisam de legiões de milhões de fãs; precisam de pessoas que realmente se interessem por seus produtos e serviços para conseguir estabelecer uma renda relativamente estável a partir do seu trabalho. Ou seja, eles precisam de fãs verdadeiros.

Aqui no blog, já falei sobre este conceito. Kevin Kelly, editor da revista Wired e criador dessa ideia, afirma que “um fã verdadeiro é um fã que comprará qualquer coisa que você crie. Esses fãs obstinados vão dirigir 300 quilômetros para ver você cantar; eles vão comprar a versão de capa dura, de livro de bolso e a versão em áudio do seu livro; eles vão adquirir sua próxima estatueta às cegas; eles vão pagar pela versão de DVD do seu ‘best-of’ do seu canal gratuito no YouTube; eles vão vir à sua sessão gourmet uma vez por mês.”

Kelly acrescenta que, se você tiver aproximadamente mil fãs verdadeiros como esses, que ele também chama de super fãs, pode ganhar sua vida desse jeito, desde que esteja feliz em ganhar seu sustento, e não ficar rico – ou seja, fazer parte da classe-média de criadores de conteúdo.

E atingir o tal “número de ouro” na quantidade de fãs é algo factível no mercado. Dados do Statista mostram que, em junho de 2021, a maior parte dos influenciadores brasileiros no Instagram (49,09%) tinham entre cinco e 20 mil seguidores. Cerca de 8% tinham mais de 100 mil seguidores e menos de 1% tinham mais de um milhão.

É claro que não dá para saber por esses números quais são apenas seguidores ou fãs verdadeiros mas, lá no meu Instagram, comprovei que eu mesmo consolidei meu modelo de negócio a partir dessa lógica. Mas, para você não achar que é só papo de marqueteiro, vou contar duas histórias aqui que talvez inspirem você: do Emanuel Bagerakis e da Marilia Gasparovic.

Emanuel: um designer que se tornou criador

O Emanuel é UX designer e criador de conteúdo e tem a conta Emanual Criativo, na qual oferece serviços de mentoria, consultoria, cursos e produtos digitais nesta área. Ele começou a criar conteúdo depois de sentir que precisava ter uma nova fonte de renda a partir do seu trabalho e queria atrair clientes para seus serviços de design.

Conforme o tempo foi passando, ele foi vendo que gostava muito de ensinar e mudou seu foco para ensinar as pessoas aspirantes a designer. Como é uma área muito técnica, ele queria poder simplificar e “desjargonizar” o segmento, trazendo um conteúdo leve e humanizado.

Como ele já era um usuário e consumidor de conteúdo no Instagram, foi natural que começasse ali. Começou meio sem estratégia e mais como uma experimentação: o início da criação de conteúdo foi em novembro de 2019 e seu primeiro produto veio depois de um ano, e com uma nova conta no Instagram.

Perguntei para ele quando percebeu que a divulgação do seu trabalho por meio de plataformas digitais também se tornou seu negócio. “Olha, essa pergunta é boa. Eu diria que eu notei que eu QUERIA que fosse meu negócio uns seis meses depois da criação de conteúdo, mas ainda estava longe de poder me sustentar e demorou praticamente dois anos para que eu pudesse sair do meu trabalho em tempo integral para me dedicar ao meu negócio 100%”, disse ele.

Em relação ao seu processo de criação, Emanuel diz que costuma trazer coisas do seu dia a dia para as redes em que cria. “Eu sou pai de um menino de quatro anos e várias coisas que vejo em livros e animações infantis me inspiram no meu trabalho”.

Segundo ele, persistência e consistência são chaves para quem quer entrar nesse mundo. “As coisas não acontecem rápido e muitas vezes me sinto como um fazendeiro (risos). Temos de plantar e cuidar da nossa horta para colher frutos no verão.”

Marilia: uma jornalista que se tornou criadora

A história da Marilia tem vários pontos em comum com a do Emanuel. Hoje, Marilia tem o perfil Eu Reviso, em que a jornalista licenciada, mestra em Letras e especialista em revisão de texto atua com treinamentos e cursos nas áreas de comunicação não violenta, atendimento ao cliente e vendas e presta serviços de produção e revisão de textos.

Marilia foi uma das profissionais afetadas pela pandemia da Covid-19, ainda que o impacto não tenha sido somente negativo. Por mais que tenha plantado a sementinha antes da chegada do coronavírus, a Eu Reviso floresceu no isolamento.

Ela ressalta que é necessário casar liberdade e responsabilidade como criador do próprio conteúdo. É preciso se manter motivado para a criatividade vir, mas essa motivação é fluida. Assim, entra em cena a disciplina, pois o conteúdo só depende de você. “É tipo ser adulto: tão bom quanto é ruim (risos), quase autoexplicativo.”

Segundo a jornalista, manter a constância está entre seus principais desafios. “O ser humano […] é de ciclos. Mas a internet não é. Internet é um contínuo, tá ali sempre precisando ser alimentada. E isso é um pouco denso para mim. Eu tento conciliar vendas online e offline, mas o off para mim é sempre prioridade, mesmo que em longo prazo não seja uma ideia muito inteligente.”

Entre suas constâncias está a adaptação ao futuro. “Trabalhar com comunicação é saber se adaptar a mudanças o tempo inteiro. Então, eu até torço para a próxima mudança chegar logo. O que eu sei que não muda é o valor da comunicação e do uso das palavras na vida humana. Por isso, me sinto tranquila, ainda que animada para o futuro.”

Ao contrário de muitas pessoas, Marilia tem um olhar quase otimista sobre as transformações às quais suas ferramentas de trabalho a submetem. “A gente muda o tempo todo, na mesma velocidade que o algoritmo muda, que as trends mudam, que as redes mudam. Talvez até mais rápido. Eu tenho isso sempre em mente por duas razões: 1) para lembrar de ver com outros olhos algo que eu já vi antes, porque um novo olhar gera novos insights e percepções; e 2) para lembrar que tudo passa e que não há dificuldades que não deem espaço a uma nova etapa de sucesso.”

Como se profissionalizar no mercado de criadores

Acho que já falei bastante sobre a Economia dos Criadores para você entender o que ela é e qual sua importância para tantos profissionais. Mas queria fechar este texto dando algumas dicas mais práticas e “mão na massa” de marketing para você realmente botar seu projeto como criador de conteúdo na rua de uma forma mais profissionalizada.

Mas não ache que vai precisar decorar mil pontos para isso. Eu defendo o marketing essencialista, e acho que ele dá conta de cobrir as principais questões que você precisa considerar quando estiver desenvolvendo seu projeto de criação de conteúdo. Vou colocar em tópicos para ser mais fácil de assimilar:

  • Para trabalhar com o que você ama, você precisa encontrar pessoas que amem o seu trabalho
  • Você não precisa fazer um viral, nem mídia paga, nem dancinha no reels nem um conteúdo que não tem nada a ver com você
  • Associe as necessidades do mundo com suas habilidades; quais assuntos você domina que podem ser usados para suprir a necessidade de outras pessoas?
  • Essa necessidade pode ser uma emoção, conhecimento, conselho ou qualquer coisa para a qual exista uma demanda
  • Você não precisa explicar cada pedacinho de você; você precisa saber como alguns dos seus pedacinhos completam as faltas dos outros
  • Você não precisa ser famoso para trabalhar com o que você ama; você só precisa de alguns fãs verdadeiros que amem o seu trabalho porque você preenche a falta que eles têm

Em outras palavras, o marketing essencialista foca em três pilares:

Se você quiser, vou adorar ajudar neste processo de se tornar um criador de conteúdo. E eu tenho três programas que podem ajudar:

Acesse os sites e confira o que cada uma dessas soluções pode oferecer para seu projeto!

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